domingo, 8 de abril de 2012

Observadores Imparciais

Quem ontem fizesse zapping pela Al Jazzeera, teria visto numerosas vezes ao longo do dia um médico norueguês em serviço num hospital de Gaza, a declarar a sua "imparcial" indignação pelo "massacre" que os israelitas estavam a levar a cabo.

As imagens que a televisão árabe mostra são sempre cruas e quase pornográficas, num apelo ao mais primário voyeurismo, mas não são imagens quaisquer. A Al Jazeera só apresenta imagens de crianças e mulheres. A reportagem típica consiste numa ambulância a chegar em grande velocidade, gente aflita e várias pessoas a correrem para o veículo, de onde sai, ensanguentada, uma criança.
Nunca se vê um homem a sair de tais ambulâncias e as imagens dos hospitais apenas mostram camas com crianças e mulheres. Onde estão a ser tratadas os milhares de feridos do Hamas, não consta em tais reportagens. É como se não existissem.

A intenção é claramente propagandística e visa utilizar o sofrimento das pessoas como instrumento de guerra psicológica, fornecendo matéria prima aos complexos de culpa e à raiva dos tolos que por esse mundo fora,
se manifestam pela "causa palestiniana".
Trata-se de um jogo perverso porque a morte dos civis próprios passa a ser um objectivo desejável pela parte conflitante que justamente alega estar a lutar por eles, e há já numerosos casos documentados, nomeadamente no mundo islâmico, do deliberado morticínio de populações tendo em vista culpar o inimigo e alcançar objectivos estratégicos mediáticos.
O caso da granada que explodiu no mercado de Sarajevo e que precipitou a intervenção da NATO, foi paradigmático, uma vez que aquela granada, tendo caído onde caíu, só por extraordinária bizarria balística poderia ter sido disparada das linhas sérvias.

Em Gaza, o Hamas está, assumida e documentadamente a usar a morte de civis para alcançar objectivos estratégicos e e
stas imagens, em que um drone israelita filma terroristas a disparar morteiros do pátio de uma escola, provam-no à saciedade.
Disparar do pátio de uma escola e fugir logo a seguir, tem como única finalidade atrair o fogo de resposta sobre a escola, de modo a que morram crianças e possa a haver imagens da brutalidade sionista.

E o médico norueguês?
Era o Dr Mads Gilbert e ao passar as suas declarações a Al Jazeera pretende evidentemente transmitir a ideia de que se trata de uma personalidade neutral, uma pessoa boa, um missionário do bem que está ali desinteressadamente a ajudar os que sofrem, e que não toma partido.
Acontece que não é verdade. O
Dr Gilbert é um comunista fanático, activista da "causa palestiniana" há várias décadas e que, a propósito do massacre do 9/11 em Nova York, em vez de correr a oferecer os seus préstimos de bom samaritano, apressou-se a declarar que "os oprimidos tinham o direito moral de lançar o ataque".

Al Qaradawi, a estrela da al-Jazira

Yusuf al-Qaradawi, um dos líderes da irmandade muçulmana e apresentador do programa ash-Shariah wal-hayat ("Sharia e vida"), transmitido pela al-Jazira e que tem audiência de aproximadamente 40 milhões de pessoas mundo a fora


Há poucos dias (18 de Fevereiro) Yusuf Qaradawi, chefe espiritual da Irmandade Muçulmana, arengou às massas e ao mundo, na Praça Tahrir.

Qaradawi, até aqui asilado no Qatar, era protegido pelo autocrata local que lhe garantiu na Aljazeera um excelente megafone a partir do qual espalha aos quatro ventos a mensagem da jihad e do genocídio dos judeus.

Na Praça Tahrir, o palco é agora da Irmandade Muçulmana e os muito louvados activistas ditos seculares, como Wael Ghonim, o homem do Google, não foram sequer autorizados a por lá os pés. Para os islamistas não passam de equivalentes dos idiotas úteis caracterizados por Lenine. Fizeram o seu papel, suscitaram o entusiasmo das naives intelligentsias ocidentais e convenceram o Ocidente, (desejoso de ser convencido), que a revolução era, mais uma vez, doces e bolos e que a democracia liberal já aí vinha. O regime caiu e, agora que já não são necessários, chega a gente que não brinca em serviço e mostra ao que vem: Qaradawi apelou à destruição de Israel e à jihad. Com milhões de adeptos a berrar “Allahu Akhbar,” Qaradawi pediu a conquista de Jerusalém e exigiu ao exército egípcio que abra as fronteiras de Gaza e apoie o Hamas.

O que fez a intelligentsia esquerdista ocidental, que tem incensado Qaradawi como um esteio da democracia e do pluralismo (o homem chegou a ser convidado de honra do ex-Mayor de Londres, Ken Livingstone, que agora é assalariado de Hugo Chavez) e não tem poupado esforços para lavar a imagem da Irmandade Muçulmana?

O que sempre faz, quando o resultado dos seus entusiasmos não é aquele que apregoava: assobia para o ar e faz de conta.

Fê-lo na “Revolução Iraniana”, nos “Gulags”, nos Killing Fields, etc.

Ora a Irmandade, organização fundada em 1928, financiada pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que em 1939 liderou gigantescos pogroms no Egipto, que apela à jihad, que apoia o terrorismo contra os judeus e o Ocidente, que glorifica os bombistas suicidas, que matou Sadat, etc, é vista como um parceiro respeitável até por altos responsáveis da Adminstração Bobama. James Claper, o homem da National Inteligence, garantiu recentemente ao Congresso que a Irmandade é, pasme-se, essencialmente secular, porque, justificou, se é verdade que tem fundamentalistas islâmicos, também tem profissionais, como médicos, engenheiros, etc.

Como se os detentores de graus académicos fossem “moderados” por definição.

Como se Al-Zawari não fosse médico. Como se Mohamed Ata não fosse engenheiro. Como se Louçã não fosse professor universitário.

Secular, uma organização que tem como lemas “o Islão é a solução; Alá é o nosso guia; o Profeta é o nosso líder; o Corão é a nossa Lei; a jihad é o nosso caminho; morrer no caminho de Alá é o nosso objectivo.”

A cegueira ideológica é a pior cegueira.

O clérigo radical Yusuf-al-Qaradawi foi banido nos EUA e ficou conhecido por ser o mais emérito pregador do bombismo suicida, o qual abençoa com o glorioso epíteto de heróica operação de martírio”.
O mesmo Sr Qaradawi respaldou a eventual morte da Drª Wafa Sultan. O mesmo Sr Qaradawi afirma que “as mulheres e crianças sionistas podem e devem ser atacadas porque não são como as nossas”.


Wafa Sultan:
http://youtu.be/ilrV--_4nAI

Al-Jazira e seu funcionário exemplar: El Qaradawi

“Muitas mulheres gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”


Al Qaradawi, o chefão da Irmandade no Egito: o que pensa este santo homem, com ar de intelectual? Parte do jornalismo ocidental o chama de "moderado"
Al Qaradawi, o chefão da Irmandade no Egito: o que pensa este santo homem, com ar de intelectual? Parte do jornalismo ocidental o chama de "moderado"

Abaixo, escrevo sobre o que poderia chamar de “Ilusão Democrática”, que toma alguns analistas, certos de que, ao derrubar ditaduras, os povos optam necessariamente por democracia, como se ela fosse um valor que se impõe por gravidade. Operação intelectual correlata a essa é tentar fazer da Irmandade Muçulmana um grupo de cordeiros, eventualmente interessados em se manter longe do Lobo Mau imperialista — os Estados Unidos —, mas por métodos pacíficos, pela via do convencimento.

E começa, então, o jogo do contente, num esforço para tentar preservar a Irmandade de si mesma. Elbaradei, o egípcio que é Prêmio Nobel da Paz, juntou-se ao grupo. Segundo ele, Hosni Mubarak usava a organização como bicho-papão para justificar a própria tirania. É claro que o ex-ditador fazia isso. Mas pergunto: não será mesmo a Irmandade bicho-papão da civilidade? A reportagem da VEJA a que me refiro traz uma seleção de frases do xeque Yusuf Al Qaradawi, o principal líder da Irmandade no Egito. Ele revela as suas utopias. Leiam:

“Depois da libertação do Iraque, faltará conquistar Roma. Isso significa que o Islã vai retornar à Europa pela terceira vez. Vamos conquistar a Europa. Vamos conquistar a América”.
(Discurso a jovens muçulmanos feito em Toledo, nos EUA, em 1995)

“Foi com enorme pesar que ouvi o grande imã de Meca dizer que é proibido matar civis mesmo em Israel”
(Debate sobre ataques suicidas promovido pela revista Middle East Quarterly, em 2003)

“Pode até haver algumas mulheres que não concordem em apanhar do marido e vejam a punição como humilhação. Muitas mulheres, porém, gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”.
(Artigo escrito em 2007 para o site IslamOnline.net)

“A obediência e a cooperação da mulher são um direito do homem. À mulher, é proibido se rebelar contra a autoridade masculina”
(do seu livro “O Permitido e o Proibido no Islamismo”)

“A circuncisão feminina (mutilação genital) não é obrigatória, mas os pais devem submeter suas filhas a ela se quiserem. Pessoalmente, sou favorável a isso”
(Artigo no IslamOnline.net, em 2007)

Encerro
Ninguém colocou essas palavras na boca de Al Qaradawi. Ele as pronunciou ou escreveu porque quis. É o principal representante da Irmandade Muçulmana no Egito e está de volta ao país. Também é uma das estrelas da emissora Al Jazeera — esta, sim, o verdadeiro “Facebook” da “revolução”.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Palestinos de Gaza – Instrumentos do Hamas

http://frankherles.wordpress.com/2009/02/01/palestinos-de-gaza-instrumentos-do-hamas/


O jornal italiano Corriere della Sera, edição de 22 de janeiro de 2009, em uma reportagem bem documentada (entrevistas gravadas, fotos, vídeos) que está sendo traduzida para diversos idiomas e comentada em todo o mundo, está gerando grande repercurssão, censuras e, como esperado, controversias: os palestinos de Gaza são, em grande parte, instrumento do Hamas, “vivendo em constante clima de terror, medo e insegurança, usados como escudos humanos quando vivos e como propaganda de guerra quando mortos, especialmente se crianças, mulheres ou idosos”.

Nas entrevistas que deram origem ao artigo, palestinos da Faixa de Gaza revelaram ao mundo fatos não divulgados pela grande imprensa, a exemplo de como o Hamas se utiliza da população civil; usa escolas, mesquitas, hospitais, prédios públicos, da mídia e/ou densamente habitados em operações militares de ataque e defesa; prende, tortura e assassina adversários políticos; usa parte expressiva da mídia mundial como instrumento útil e barato para sua guerra publicitária.

Leia o artigo “‘Abitanti di Gaza accusano i militanti islamici: “Ci impedivano di lasciare le case e da lì sparavano“‘. – Moradores de Gaza acusam militantes islâmicos: “Estamos impedidos de deixar nossas casas e atiram de lá”.

Por Lorenzo Cremonesi*

“Vão embora, vão embora, saiam daqui agora! Vocês querem que os israelenses nos matem? Vocês querem que nossas crianças sejam bombardeadas? Levem suas armas e mísseis para longe da gente agora”, gritavam muitos habitantes da Faixa de Gaza para terroristas do Hamas e seus aliados da Jihad Islâmica. Os mais corajosos se organizaram e bloquearam as portas de seus pátios e portas de acessos aos telhados. Mas por mais que pedissem e implorassem, os terroristas não escutava ninguém: “Traidores! Colaboradores de Israel! Espiões do Fatah! Covardes! Os soldados da Jihad (Guerra ‘Santa’) vão castigá-los! Mesmo porque, assim como nós, todos vocês também morrerão! Combatendo os sionistas estamos todos destinados ao paraíso! Não estão satisfeitos de morrermos juntos?”. E assim, gritos furiosos, arrombavam portas e janelas, e escondiam-se em andares superiores, nos quintais; utilizavam ambulâncias da ONU e veículos de outras agências de ajuda humanitária, e não apenas como transporte, mas também para atacar forças israelenses; faziam barricadas ao lado de hospitais, escolas, mesquitas, prédios da ONU e outras agências de ajuda internacional.

Matando seus próprios ‘irmãos’

Em muitos casos os terroristas abriram fogo contra palestinos que bloqueava as estradas de suas casas na tentativa de salvar suas famílias, e em alguns que procuravam parentes nas ruas e atravessou o caminho dos jihadistas. Abu Issa, 42 anos, habitante do bairro de Tel Awa, afirma que “os ‘milicianos’ do Hamas provocavam os israelenses constantemente, fazendo de tudo para que eles abrissem fogo contra casas e prédios com civis, de onde disparavam nos sionistas. Eram na maioria rapazes entre 16 a 17 anos, armados com metralhadoras, granadas e morteiros. Não podiam fazer nada contra os tanques ou jatos. Sabiam que eram muito mais fracos. Mas queriam que eles [os israelenses] disparassem sobre nossas casas para depois acusá-los de crimes de guerra. Praticamente todos os prédios mais altos de Gaza bombardeados pelos israelenses, como o Dogmoush, Andalous, Jawarah, Siussi e tantos outros, tinham em seus telhados rampas de lançamento de foguetes ou observatórios do Hamas. Também colocaram lançadores de foguetes próximo do grande depósito da ONU, que depois foi incendiado.” “E o mesmo ocorreu nos edifícios de vilarejos ao longo da linha da fronteira, instalaram lançadores de Qassam e também foram atingidos pela fúria louca e punitiva dos sionistas”, complementa a prima de Issa, Um Abdallah, de 48 anos.

As testemunhas concordaram em falar conosco sob condição de que seus verdadeiros nomes não fossem revelados. E mesmo assim foi difícil obter estes testemunhos, pois “o medo do Hamas” e o seu controle da população “é uma sindrome coletiva na Faixa de Gaza”.

A vida sob um fio

Quem ousa contar uma versão diferente da narrativa imposta pela “muhamawa” (a resistência) torna-se automaticamente um “amil” (colaborador do inimigo), pagando com sua própria vida e pondo a vida de toda sua família em risco. Se Israel ou o Egito tivessem permitido aos jornalistas estrangeiros entrarem logo em Gaza, tudo teria sido bem mais fácil. “Jornalistas locais são continuamente ameaçados pelo Hamas, isto não é um fato novo no Oriente Médio. Infelizmente as sociedades dos países árabes não possuem tradições cultural de direitos humanos. Sob o governo de Yasser Arafat as perseguições e censuras da imprensa eram frequentes e comuns. Com o Hamas é muito, muito pior”, sustenta Eyad Sarraj, conhecido psiquiatra da Cidade de Gaza. “E há outro dado que emerge com evidência cada vez maior quando se visita clínicas, hospitais e as famílias das vítimas do fogo israelense. Na realidade o número de vítimas parece ser muito mais baixo do que os quase 1300 mortos e 5.000 feridos relatados pelo Hamas e repetidos por oficiais da ONU, da Cruz Vermelha e outras organizações ditas humanitárias. O número de mortos podem ser não mais do que 500 ou 600, a grande maioria são rapazes entre 17 e 23 anos, que foram recrutados e treinados pelo Hamas, que literalmente os enviou ao massacre”, diz um médico do hospital de Shifah, que categoricamente se recusa ser identificado, temendo por sua vida e de sua família. “Mesmo jornalistas locais sabem que já fizemos chegar aos ouvidos de chefes do Hamas ‘o por que de insistirem em aumentar o número de vítimas?’ E mais estranho ainda é que as organizações não-governamentais e a impresa, ocidentais na maioria, repitam essas informações sem nenhuma verificação! No final a verdade poderá vir à tona, a exemplo do ocorrido em Jenin, em 2002. Inicialmente falou-se em 1500 mortos- e a imprensa mundial divulgou como sendo verdade absoluta -, mas depois comprovou-se que o número de mortos palestinos foi 54, incluíndo pelo menos 45 guerrilheiros mortos em combate”.

Números Inflados

Como é que chegamos a esses números?

Masoda Al Samoun, 24 anos, nos explica essa matemática política: “Tomamos como exemplo o caso do massacre da família Al Samoun, do bairro de Zeitun. Quando as bombas atingiram suas casas eles reportaram 31 mortos – isto foi registrado pelo Ministério da Saúde controlado pelo Hamas. Logo depois, quando os corpos foram resgatados dos escombros o número de vítimas foi dobrada para 62 e adicionado ao total geral – que já contava com as 31 mortes inicialmente informadas.” E há um detalhe interessante: “O que tornou a situação ainda mais confusa foi a atuação de forças especiais israelenses que, disfarçados como guerrilheiros do Hamas, com faixa verde na testa com a frase: ‘Não há outro Deus que não Alá, e Maomé é o seu profeta’. Essas tropas sionistas infiltravam-se nos becos para criar o caos e obter informações estratégicas. Gritavamos para que fossem embora, pois temíamos severas represálias dos sionistas. Mais tarde entendemos que eram israelenses.” Basta visitar qualquer hospital para constatar que os números estão errados. Muitos leitos estão vazios no Hospital Europeu de Rafah, um dos hospitais que deveria estar mais envolvido com as vítimas da “Guerra dos Túneis. O mesmo vale para o Hospital Nasser, em Khan Yunis. Dos 150 leitos do hospital particular Al-Amal, somente 5 estão ocupados. Na Cidade de Gaza, o Hospital Wafam – construído com doações beneficentes islâmicas da Arábia Saudita, Qatar e outros países do Golfo Pérsico – já havia sido evacuado em virtude de ter sido bombardeado por Israel em fins de dezembro – este hospital era conhecido por muitos como sendo um dos quarteis-general do Hamas e onde se recuperaram diversos combatentes da guerra civil contra a Fatah, em 2007. Os outros estavam no Al Quds, que por sua vez foi bombardeado na segunda semana de janeiro.

Dissimulação, Prisões, Torturas, Assassinatos…

Isto é narrado por Magah al Rachmah, 25 anos, que vive perto dos quatro prédios do complexo de saúde, hoje seriamente danificado, nos diz: “Os homens do Hamas se esconderam principalmente no prédio que hospeda os oficias administrativos do Al Quds. Usavam ambulâncias e uniformes de motoristas e enfermeiros – que eram obrigados a fazerem isso - com símbolos de paramédicos para confundir, fugir e atacar os israelenses”. Tudo isso contribuiu para reduzir o número de vagas em leitos nos institutos de saúde em Gaza. Até o Shifah, o maior hospital da cidade, está muito longe de registrar plena ocupação. No entanto, aparentemente, suas instalações subterrâneas foram densamente ocupadas. “O Hamas instalou ali suas princiapis células de emergência, salas de interrogatórios para prisioneiros do Fatah e da Frente Laica de Esquerda que foram evacuados da prisão bombardeada de Saraja”, dizem ‘militantes’ da FDLP. Esta tem sido uma guerra dentro da guerra, entre o Fatah e o Hamas, que apesar do considerável número de prisões, torturas e mortes segue ignorada pela imprensa! No entanto, as organizações humanitárias locais, por mais que sejam controladas pela OLP, contam que ocorreram “dezenas de execuções, casos de tortura e seqüestros nas últimas três semanas”, todos perpetrados pelo Hamas. Um dos casos mais comentados é o de Achmad Shakhura, 47 anos, que viveu em Khan Yunis. Shakhura foi irmão de Khaled, braço direito de Mohammad Dahlan (ex-chefe dos serviços secretos de Yasser Arafat, que hoje vive no exílio), raptado por ordem do chefe da polícia secreta do Hamas, Abu Abdallah Al Kidra. Torturado, teria tido seu olho direito arrancado e e finalmente sido executado no dia 15 de janeiro.

* Lorenzo Cremonesi, jornalista italiano, correspondete internacional no Oriente Médio do diário Corriere della Sera.

Fonte

1. Jornal Corriere della Sera, edição de 22 de janeiro de 2009.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Líder do Hamas: "metade dos palestinos é do Egito e a outra metade é da Arábia Saudita"




Fathi Hammad: O Egito é incapaz de fornecer combustível para 2 milhões de pessoas na Faixa de Gaza?
[...]
Se vocês não apontarem suas bússolas para a Palestina, Al-Aqsa e Jerusalém, a fim de erradicar o inimigo sionista, os EUA vão esmagar vocês. Eles vão cerca-los com suas conspirações e acabar com vocês. Portanto, vocês devem erguer a bandeira da Jihad, a bandeira do "não há deus senão Alá".
[...]
Irmãos, existem 1,8 milhões de nós em Gaza. No Egito, há cerca de 90 milhões de pessoas. Somos equivalentes a apenas dois por cento da população egípcia. [fornecer combustível para Gaza] não vai sobrecarregá-los de forma alguma.
[...]
Em Al-Aqsa e na Palestina, todas as conspirações ao longo da história foram destruídas - as conspirações dos cruzados e as conspirações dos tártaros. Em Al-Aqsa e na terra da Palestina, a Batalha de Hattin foi travada. O [Ocidente] não quer que esta nobre história se repita, porque os judeus e seus aliados seriam aniquilados - os sionistas, os americanos e os imperialistas.

Assim, a conspiração é muito clara. Al-Aqsa e a terra da Palestina representam a ponta de lança para o Islã e para os muçulmanos. Portanto, quando buscamos a ajuda de nossos irmãos árabes, não estamos procurando a sua ajuda para comer, viver, beber, vestir, ou para ter algum luxo. Não. Quando buscamos a ajuda deles, é para continuar a jihad (gerra santa contra os infiéis)
[...]
Alá seja louvado, todos nós temos raízes árabes e todos os palestinos, em Gaza e em toda a Palestina, podem provar as suas raízes árabes - seja da Arábia Saudita, do Iêmen, ou em qualquer lugar. Nós temos laços de sangue. Então, onde está o seu carinho e misericórdia?
[...]
Pessoalmente, metade da minha família é do Egito. Somos todos assim. Mais de 30 famílias na Faixa de Gaza têm o sobrenome Al-Masri [o "egípcio"]. Irmãos, metade dos palestinos são egípcios e a outra metade são sauditas.

Quem são os palestinos? Temos muitas famílias chamadas "Al-Masri", cujas raízes são do Egito. Egípcios! Eles podem ser de Alexandria, do Cairo, de Dumietta, a partir do Norte, a partir de Aswan, do alto Egito. Somos egípcios. Somos árabes. Somos muçulmanos. Nós somos uma parte de você.

Allah Akbar! Todo louvor a Deus. Allah Akbar! Como vocês podem ficar em silêncio, oh muçulmanos, quando o povo de Gaza está morrendo? Vocês assistem do lado de fora sem fornecer-lhes as coisas mais simples, que vocês oferecem para o Ocidente pelos mais baixos preços.
[...]

domingo, 1 de abril de 2012

Os refugiados esquecidos: os judeus dos países árabes

Um dos capítulos mais tristes e menos conhecidos do conflito no Oriente Médio

Confissão de Moshe Dayan?




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Uma das formas mais comuns de ataque na guerra acadêmica e da mídia contra Israel é a distorção, citação fora de contexto ou invenção deliberada de frases atribuídas a líderes sionistas célebres. Uma das mais comuns é atribuída ao Moshe Dayan, traduzida para o português abaixo:

"Foram construídas aldeias judias no lugar de aldeias árabes. Você talvez nem mesmo saiba os nomes destas aldeias árabes, e eu não o culpo porque livros de geografia já não existem, não só os livros não existem, as aldeias árabes não estão lá. Nahlal surgiu no lugar de Mahlul; Kibutz Gvat no lugar de Jibata; Kibutz Sarid no lugar de Huneifis; e Kefar Yehushu'a no lugar de Tal al-Shuman. Não há nenhum único lugar onde se estabeleceu este país que não teve uma população árabe anterior."

MosheDayan, Ha'aretz, 4 de abril de 1969.


As citações dessa frase costumam deixar implícita ou explícita a idéia de uma confissão, de que o chefe de estado estava admitindo que aldeias árabes foram deliberadamente destruídas para o estabelecimento de cidades judaicas. Poucas deixam claro a origem ou o contexto original.

Na verdade o Ha'aretz transcreveu em 4 de abril de 1969 trechos de um discurso feito por ele em 19 de março de 1969 em uma palestra aos alunos do Technion, o Instituto de Tecnologia de Haifa. A citação distorcida foi a resposta à pergunta de um aluno questionando o porquê do governo israelense não adotar uma política de extradição para os palestinos que cometiam crimes na Cisjordânia. Moshe Dayan considerou uma idéia inaceitável, e o cerne da citação é o reconhecimento da convivência pacífica. A citação real conforme transcrita pelo Ha'aretz e traduzida é:

"Nós viemos para uma região que era habitada por árabes e construímos um estado judaico. Em muitos lugares nós compramos terras de árabes e construímos vilas judaicas onde um dia houve vilas árabes. Vocês [dirigindo-se aos estudantes] nem mesmo sabem os nomes [das vilas árabes existentes anteriormente], e eu não o culpo, porque aqueles livros de geografia não existem mais. Não apenas os livros, mas as vilas não existem..."

Ou seja, a intenção real da frase foi demonstrar como não era necessário usar de uma política extrema e injusta para estabelecer uma convivência, pois era possível estabelecer-se de forma pacífica. O mais importante, que é o ponto central excluído da frase, o fato de que em muitos lugares as terras foram compradas.

Considerando a edição extrema que existe entre a transcrição real e a versão divulgada por muitos, resta a dúvida de qual a fonte e qual o objetivo da distorção. Rastrear uma distorção até a fonte da fraude costuma ser bem mais difícil pois nunca se sabe quando alguém está agindo por ignorância ou má-fé. No caso dessa citação, a versão alterada foi criada pelo historiador palestino Walid Khalidi, aparecendo pela primeira vez na introdução do livro "All That Remains: The Palestinian Villages Occupied and Depopulated by Israel in 1948", p. XXXI.

Walid Khalidi acrescentou os nomes de algums cidades, pois o livro trata exatamente das vilas árabes que existiam e foram destruídas ou evacuadas durante a guerra, e acrescentar a frase na introdução na forma de confissão acrescenta alguma credibilidade ao argumento de que a destruição foi deliberada. No entanto as menções não resistem a um exame mais atento.

Na sua edição da frase Khalidi afirma que "Nahlal surgiu no lugar de Mahlul". Nahlal, foi em 1921 o primeiro "moshav" estabelecido em Israel, uma comunidade agrícola semelhante aos kibutzim, mas sem o mesmo ideal coletivista. A comunidade foi estabelecida em terras compradas pelo Fundo Nacional Judaico do governo Otomano e não tinha uma população árabe nativa. Dizer que "surgiu no lugar de Mahlul" comprova a má-fé, contando com a ignorância do leitor, pois "mahlul" era um termo usado pela lei otomana para referir-se à terras férteis que eram transferidas para cultivo a arrendatários ou locatários, mas se improdutivas por mais de três anos, a propriedade era retornada ao Estado caso não reclamadas pelo arrendatário original com um pagamento.

Depois Khalidi afirma que o "Kibutz Gvat surgiu no lugar de Jibata". Esta foi uma das vilas do Vale de Jezreel cujas terras foram compradas da família Sursock pelo Fundo Nacional Judaico em 1924, e o kibutz estabelecido em 1926 na vila então abandonada pelos habitantes originais. O mesmo vale para Kefar Yehushua, que afirma ter surgido no lugar de Tal al-Shuman. A questão da compra de terras, principalmente aquelas envolvendo grandes aristocratas como a família Sursock é muito importante para compreender as origens do conflito, e será tratada aqui no futuro.

Finalmente, ele afirma que o "Kibutz Sarid no lugar de Huneifis", mas Sarid foi estabelecido em 1926 em uma área deserta desde o Império Romano, e que teve uma tentativa de colonização fracassada, por cristãos alemães em 1883, que sofreram com doenças como tifo e malária e abandonaram o local.

Concluindo, a citação distorcida não conserva qualquer parte do sentido original, de que a convivência pacífica era possível e que muitas vilas judaicas foram estabelecidas pela compra de terras. Pelo contrário, ela inverte completamente o sentido e as adições feitas para reforçar a idéia falsa não têm fundamento.