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domingo, 8 de abril de 2012

Al Qaradawi, a estrela da al-Jazira

Yusuf al-Qaradawi, um dos líderes da irmandade muçulmana e apresentador do programa ash-Shariah wal-hayat ("Sharia e vida"), transmitido pela al-Jazira e que tem audiência de aproximadamente 40 milhões de pessoas mundo a fora


Há poucos dias (18 de Fevereiro) Yusuf Qaradawi, chefe espiritual da Irmandade Muçulmana, arengou às massas e ao mundo, na Praça Tahrir.

Qaradawi, até aqui asilado no Qatar, era protegido pelo autocrata local que lhe garantiu na Aljazeera um excelente megafone a partir do qual espalha aos quatro ventos a mensagem da jihad e do genocídio dos judeus.

Na Praça Tahrir, o palco é agora da Irmandade Muçulmana e os muito louvados activistas ditos seculares, como Wael Ghonim, o homem do Google, não foram sequer autorizados a por lá os pés. Para os islamistas não passam de equivalentes dos idiotas úteis caracterizados por Lenine. Fizeram o seu papel, suscitaram o entusiasmo das naives intelligentsias ocidentais e convenceram o Ocidente, (desejoso de ser convencido), que a revolução era, mais uma vez, doces e bolos e que a democracia liberal já aí vinha. O regime caiu e, agora que já não são necessários, chega a gente que não brinca em serviço e mostra ao que vem: Qaradawi apelou à destruição de Israel e à jihad. Com milhões de adeptos a berrar “Allahu Akhbar,” Qaradawi pediu a conquista de Jerusalém e exigiu ao exército egípcio que abra as fronteiras de Gaza e apoie o Hamas.

O que fez a intelligentsia esquerdista ocidental, que tem incensado Qaradawi como um esteio da democracia e do pluralismo (o homem chegou a ser convidado de honra do ex-Mayor de Londres, Ken Livingstone, que agora é assalariado de Hugo Chavez) e não tem poupado esforços para lavar a imagem da Irmandade Muçulmana?

O que sempre faz, quando o resultado dos seus entusiasmos não é aquele que apregoava: assobia para o ar e faz de conta.

Fê-lo na “Revolução Iraniana”, nos “Gulags”, nos Killing Fields, etc.

Ora a Irmandade, organização fundada em 1928, financiada pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que em 1939 liderou gigantescos pogroms no Egipto, que apela à jihad, que apoia o terrorismo contra os judeus e o Ocidente, que glorifica os bombistas suicidas, que matou Sadat, etc, é vista como um parceiro respeitável até por altos responsáveis da Adminstração Bobama. James Claper, o homem da National Inteligence, garantiu recentemente ao Congresso que a Irmandade é, pasme-se, essencialmente secular, porque, justificou, se é verdade que tem fundamentalistas islâmicos, também tem profissionais, como médicos, engenheiros, etc.

Como se os detentores de graus académicos fossem “moderados” por definição.

Como se Al-Zawari não fosse médico. Como se Mohamed Ata não fosse engenheiro. Como se Louçã não fosse professor universitário.

Secular, uma organização que tem como lemas “o Islão é a solução; Alá é o nosso guia; o Profeta é o nosso líder; o Corão é a nossa Lei; a jihad é o nosso caminho; morrer no caminho de Alá é o nosso objectivo.”

A cegueira ideológica é a pior cegueira.

O clérigo radical Yusuf-al-Qaradawi foi banido nos EUA e ficou conhecido por ser o mais emérito pregador do bombismo suicida, o qual abençoa com o glorioso epíteto de heróica operação de martírio”.
O mesmo Sr Qaradawi respaldou a eventual morte da Drª Wafa Sultan. O mesmo Sr Qaradawi afirma que “as mulheres e crianças sionistas podem e devem ser atacadas porque não são como as nossas”.


Wafa Sultan:
http://youtu.be/ilrV--_4nAI

Al-Jazira e seu funcionário exemplar: El Qaradawi

“Muitas mulheres gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”


Al Qaradawi, o chefão da Irmandade no Egito: o que pensa este santo homem, com ar de intelectual? Parte do jornalismo ocidental o chama de "moderado"
Al Qaradawi, o chefão da Irmandade no Egito: o que pensa este santo homem, com ar de intelectual? Parte do jornalismo ocidental o chama de "moderado"

Abaixo, escrevo sobre o que poderia chamar de “Ilusão Democrática”, que toma alguns analistas, certos de que, ao derrubar ditaduras, os povos optam necessariamente por democracia, como se ela fosse um valor que se impõe por gravidade. Operação intelectual correlata a essa é tentar fazer da Irmandade Muçulmana um grupo de cordeiros, eventualmente interessados em se manter longe do Lobo Mau imperialista — os Estados Unidos —, mas por métodos pacíficos, pela via do convencimento.

E começa, então, o jogo do contente, num esforço para tentar preservar a Irmandade de si mesma. Elbaradei, o egípcio que é Prêmio Nobel da Paz, juntou-se ao grupo. Segundo ele, Hosni Mubarak usava a organização como bicho-papão para justificar a própria tirania. É claro que o ex-ditador fazia isso. Mas pergunto: não será mesmo a Irmandade bicho-papão da civilidade? A reportagem da VEJA a que me refiro traz uma seleção de frases do xeque Yusuf Al Qaradawi, o principal líder da Irmandade no Egito. Ele revela as suas utopias. Leiam:

“Depois da libertação do Iraque, faltará conquistar Roma. Isso significa que o Islã vai retornar à Europa pela terceira vez. Vamos conquistar a Europa. Vamos conquistar a América”.
(Discurso a jovens muçulmanos feito em Toledo, nos EUA, em 1995)

“Foi com enorme pesar que ouvi o grande imã de Meca dizer que é proibido matar civis mesmo em Israel”
(Debate sobre ataques suicidas promovido pela revista Middle East Quarterly, em 2003)

“Pode até haver algumas mulheres que não concordem em apanhar do marido e vejam a punição como humilhação. Muitas mulheres, porém, gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”.
(Artigo escrito em 2007 para o site IslamOnline.net)

“A obediência e a cooperação da mulher são um direito do homem. À mulher, é proibido se rebelar contra a autoridade masculina”
(do seu livro “O Permitido e o Proibido no Islamismo”)

“A circuncisão feminina (mutilação genital) não é obrigatória, mas os pais devem submeter suas filhas a ela se quiserem. Pessoalmente, sou favorável a isso”
(Artigo no IslamOnline.net, em 2007)

Encerro
Ninguém colocou essas palavras na boca de Al Qaradawi. Ele as pronunciou ou escreveu porque quis. É o principal representante da Irmandade Muçulmana no Egito e está de volta ao país. Também é uma das estrelas da emissora Al Jazeera — esta, sim, o verdadeiro “Facebook” da “revolução”.