domingo, 27 de julho de 2014

"Israel comete crimes de guerra quando bombardeia Gaza"

Retirado do blog PALESTINA LIVRE

Ibrahim Khreisheh, o representante palestino no Conselho de Direitos Humanos da ONU, explica porque Israel não comete nenhum crime quando ataca Gaza -- mesmo quando civis morrem -- e porque os palestinos não recorrem ao Tribunal Penal Internacional: porque são eles que cometem crimes de guerra quando atacam Israel. 

No fim da entrevista ele ainda oferece um conselho muito útil a todos que discutem o conflito: "As pessoas precisam se instruir mais antes de falar de forma emocional."

Programa apresentado no dia 9 de julho de 2014, no canal oficial da Autoridade Palestina




Apresentadora: A demanda popular é recorrer ao Tribunal Penal Internacional e assinar o Estatuto de Roma. E demandam que isso seja feito imediatamente. Até que ponto isso é realista? 
Você é nosso representante em todas os organizações internacionais... que tipo de vantagem teríamos nesse caso? E será que poderíamos ser indiciados?

Ibrahim Khreisheh: Eu não sou candidato em nenhuma eleição palestina, então eu não preciso ganhar popularidade com a população.
Os mísseis que estão sendo lançados agora contra Israel... cada um deles constitui um crime contra a humanidade -- não importa se acertam ou erram -- porque são disparados em direção a alvos civis.

Portanto, alvejar civis -- seja um ou mil deles -- é considerado um crime contra a humanidade. 

Apresentadora: E é por isso que Israel recorreu a um ataque contra Gaza...

Ibrahim Khreisheh: Apelar ao Tribunal Penal Internacional requer um consenso, por escrito, de todas as facções palestinas.
Então, quando um palestino for morto por seu envolvimento na morte de um civil israelense, não seremos culpados por extraditá-lo.

Por favor, observe que muitos do nosso povo em Gaza apareceram na TV e disseram que o exército israelense os avisou para evacuar suas residências antes dos bombardeios.
Nesse caso, se alguém for morto, a lei considera isso um erro e não uma morte intencional, porque os israelenses seguiram os procedimentos legais.

Quanto aos mísseis lançados pelo nosso lado... nós nunca avisamos onde eles vão cair ou sobre as operações [militares] que realizamos.

Portanto, as pessoas precisam se instruir mais antes de falar de forma emocional sobre apelar ao Tribunal Penal Internacional.

domingo, 13 de julho de 2014

A tragédia na Síria

De acordo com o jornal libanês The Daily Star, a guerra civil na Síria chegou a 170.000 mortos -- 56.495 deles eram civis. Você não ficou sabendo pela Globo porque não tem como culpar Israel... 

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Jul-10/263416-syria-war-toll-tops-170000-one-third-civilians.ashx#ixzz37Da5teiO

Exemplos de como a imprensa árabe é menos anti-Israel que a brasileira

(retirado de um status do Facebook)

Sabe aquele seu conhecido pentelho que reclama do "terrorismo de estado" de Israel, que critica a ofensiva israelense ou que considera o Hamas legítimo? Pode dar os parabéns, ele é mais anti-Israel que os próprios árabes:

'Amr Mustafa (ator egípcio): مطلوب من غزة التطهر من حماس، واحنا نساعدكم.
"Livrem-se do Hamas e nós os ajudaremos."
http://www.alwatanvoice.com/arabic/news/2014/07/11/565830.html

al-Bashayer (jornal egípcio) criticando o envio de 500 toneladas de alimento do Egito para Gaza: إن مستوي معيشة المواطن الغزاوي أعلي بكثير من مستوي معيشة المواطن المصري
"O padrão de vida dos moradores de Gaza é muito mais alto que o do cidadão egípcio"
http://elbashayer.com/news-391567.html

Hamdi Bakhit (ex-general egípcio): بأي احتلال إسرائيلي لغزة ففي كل الأحوال سيكون أفضل من حكم حركة حماس التي تقصف إسرائيل بالصواريخ ليلاً ونهاراً وتحرم الشعب الإسرائيلي الإحساس بالأمن.
"A [re]ocupacão israelense de Gaza será melhor que o governo do Hamas, que bombardeia Israel com foguetes dia e noite e priva o povo de uma sensação de segurança."
http://wadymasr.com/2014/07/11/1283117.html

Azza Sami (do jornal al-Ahram): كتر خيرك يا نتنياهو ربنا يكتر من امثالك القضاء على حماس اس الفساد والخيانة والعمالة الاخوانية وقسما بالله...
"Obrigado Netanyahu, e que Deus nos dê mais gente como você para destruir o Hamas, a base de corrupção, da traição e o agente da Irmandade Muçulmana"
https://twitter.com/oussamaDBO/status/486565083519418368/photo/1

domingo, 30 de março de 2014

Karl Marx e a maioria judaica em Jerusalém em 1854

Em 1854, antes mesmo do início do movimento sionista (sua primeira convenção foi no ano de 1897), a população judaica da Palestina já era de dezenas de milhares.
Ainda de acordo com Marx, que se baseia no censo do império turco-otomano, a minoria muçulmana era formada por turcos e mouros, além de árabes.

Karl Marx acaba com três mitos de uma só vez:
Ele mostra que os judeus já eram maioria na cidade quase meio século antes do sionismo;
que a minoria muçulmana era formada por não-nativos;
e que não havia coexistência antes do sionismo.



Zuheir Mohsen, a OLP e o "povo palestino"


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Árabes de Israel: não queremos viver em um Estado palestino

É muito mais fácil para os palestinos acusarem Israel de racismo do que admitirem que não querem ser parte de um Estado palestino.
“Esta é uma proposta imaginária que se relaciona com os árabes como se eles fossem peças de xadrez que podem ser movidas para lá e para cá, de acordo com a vontade dos jogadores” , disse Ahmed Tibi, membro do Knesset (o Parlamento de Israel).
Se os membros árabes do Knesset estão tão preocupados com a possibilidade de se tornarem cidadãos de um Estado palestino, eles deveriam trabalhar em direção à integração, e não à separação de Israel, e dar mais ouvidos aos seus constituintes do que às vozes do Fatah e do Hamas.
Novas conversações sobre trocas de terras [1] entre Israel e um futuro Estado palestino deixaram muitos árabes israelenses preocupados a respeito da perda do seu status como cidadãos de Israel.
De acordo com o diário israelense Ma'ariv, Israel propôs aos americanos transferir as comunidades árabes israelenses para a Autoridade Palestina como parte de uma troca de terras que colocaria os assentamentos judeus na Margem Ocidental sob a soberania israelense.
A proposta significa que cerca de 300 mil árabes israelenses teriam permissão para ficar em seus vilarejos na área do “triângulo” ao longo da fronteira com a Margem Ocidental. No entanto, esses cidadãos viveriam sob a jurisdição de um Estado palestino.
A nova-velha proposta foi fortemente rejeitada pelos líderes dos árabes israelenses [2], que expressaram irritação com relação à idéia.
Foi difícil encontrar pelo menos um árabe israelense que apoiasse a proposta publicamente.
“Esta é uma proposta imaginária que se relaciona com os árabes como se eles fossem peças de xadrez que podem ser movidas para lá e para cá, de acordo com a vontade dos jogadores”, disse Ahmed Tibi, membro do Knesset [3].
Outro membro árabe do Knesset, Afu Ighbarriyeh, disse: “Cidadãos de um Estado democrático não são instrumentos ou reféns nas mãos de seu governo”.[4]
Tanto Tibi quanto Ighbarriyeh são de cidades que ficam na área do triângulo: Taybeh e Umm al-Fahm.
Mas o que os membros árabes do Knesset não estão falando abertamente é que eles não querem acordar de manhã e descobrir que são cidadãos de um Estado palestino. É muito mais fácil para os palestinos acusarem Israel de racismo do que admitirem que não querem ser parte de um Estado palestino.
Um pesquisa de opinião realizada em novembro de 2007 pelo Centro Árabe de Pesquisa Social Aplicada verificou que mais de 70% dos árabes israelenses são contrários a qualquer proposta de anexar cidades e vilarejos da área do triângulo à Autoridade Palestina, em troca da anexação dos assentamentos a Israel.[5]
Outra pesquisa de opinião pública, realizada pelo Professor Sammy Smooha [6], da Universidade de Haifa, mostrou que três quartos dos árabes israelenses crêem que os representantes árabes deveriam tratar de questões do dia-a-dia em vez do conflito israelense-palestino.
Essa pesquisa também verificou que, pelos últimos dez anos, os árabes israelenses se tornaram mais extremos em suas visões com relação a Israel e sua maioria judia.
O Professor Smooha disse que os árabes israelenses estão interessados em receber os benefícios que o Estado lhes proporciona -- estabilidade, democracia, serviços, e assim por diante. A liderança árabe é mais crítica de Israel do que o público árabe, que é “muito mais pragmático do que seus líderes”, explicou ele.
O Knesset é composto por 120 membros, 12 dos quais são árabes. Alguns dos parlamentares árabes, nas duas últimas décadas, têm agido e falado de maneira a causar dano aos interesses dos 1,5 milhões de cidadãos árabes de Israel.
Eles são, em primeiro lugar e em maior intensidade, responsáveis por radicalizar um grande número de árabes israelenses e por fazê-los se voltar contra o Estado.
Esses parlamentares, na verdade, têm usado mais tempo defendendo os interesses dos palestinos na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza do que defendendo os interesses de seus eleitores.
Um membro do Knesset que se identifica abertamente com o Fatah ou com o Hamas ou com o Hezb'allah(Partido de Alá), é responsável pela situação de que, hoje, muitos judeus israelenses vêem os árabes israelenses como uma “quinta coluna” e como “um inimigo de dentro”.
Esses membros do Knesset estão totalmente conscientes de que eles perderiam a maior parte de seus privilégios se estivessem debaixo da maioria dos regimes árabes -- razão pela qual eles são fortemente contrários à recente proposta.
Os palestinos possuem seu próprio parlamento na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Mas esse parlamento, conhecido como Conselho Legislativo Palestino, está paralisado desde que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, em 2007.
Na maioria dos países árabes, os membros do parlamento que ousarem criticar seus governantes freqüentemente são confinados a seus lares ou ficam presos atrás das grades.
Se os membros árabes do Knesset estão tão preocupados com a possibilidade de se tornarem cidadãos de um Estado palestino, eles deveriam trabalhar em direção à integração, e não à separação de Israel. Os parlamentares árabes precisam ouvir mais o que seus constituintes estão lhes dizendo do que ao Fatah e ao Hamas. (Khaled Abu Toameh -- www.gatestoneinstitute.org)


Khaled Abu Toameh,
 um muçulmano árabe, é jornalista veterano, vencedor de prêmios, que vem dando cobertura jornalística aos problemas palestinos por aproximadamente três décadas. Estudou na Universidade Hebraica e começou sua carreira como repórter trabalhando para um jornal afiliado à Organização Para a Libertação da Palestina (OLP), em Jerusalém. Toameh trabalha atualmente para a mídia internacional, servindo como “olhos e ouvidos” de jornalistas estrangeiros na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza.

Os artigos de Abu Toameh têm aparecido em inúmeros jornais em todo o mundo, inclusive no Wall Street Journal, no US News & World Report e no Sunday Times de Londres. Desde 2002, tem escrito sobre os problemas palestinos para o jornal Jerusalem Post. Toameh também é produtor e consultor da NBC Newsdesde 1989.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sartre do Hamas

Diogo Mainardi

Jandira Feghali e Chico Alencar em um evento pro-palestino com faixas que comparam Sharon a Hitler



- Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás.

O bordão foi entoado na Holanda, durante uma passeata organizada por grupos de esquerda para protestar contra a batalha de Gaza. Dois parlamentares do Partido Socialista participaram da passeata. 

O antissemitismo? Foi tomado pela esquerda. Gadi Luzzato Voghera é autor de um ensaio sobre o assunto, "Antissemitismo à esquerda", da editora Einaudi. Professor da universidade de Veneza, judeu e esquerdista, ele comparou a cumplicidade da esquerda européia com o Hamas à cumplicidade da esquerda européia com o stalinismo. Assim como os intelectuais de esquerda, no passado, se recusaram a condenar o totalitarismo de Stalin e o caráter assassino de seu regime, os intelectuais de esquerda, atualmente, acobertam o totalitarismo do Hamas e o caráter terrorista de seu regime - são os Jean-Paul Sartre do Hamas.

O antissemitismo de esquerda é camuflado como antissionismo. Para poder colaborar abertamente com os assassinos do Hamas, os antissemitas de esquerda falsificaram a história, associando os terroristas palestinos aos grupos anticolonialistas do século passado ou ao movimento contra o apartheid na África do Sul, como se Israel fosse um império colonial ou um regime segregacionista. Pior: eles igualaram Gaza ao gueto de Varsóvia, como se Israel fosse a monstruosidade nazista. Em nome do antissionismo, a esquerda acolheu alegremente o despotismo do Hamas, o fundamentalismo religioso, a opressão das mulheres e a retórica genocida contra os judeus.

De setembro para cá, o antissemitismo de esquerda ganhou o impulso da crise financeira internacional. De acordo com uma pesquisa realizada em sete países europeus, 31% dos entrevistados culparam os judeus pelos desastres da economia mundial. É o retorno em grande escala daquele arraigado preconceito antissemita do judeu agiota, do judeu conspirador, do judeu inescrupuloso, do judeu golpista. Agora é a vez do judeu do subprime, do judeu dos ativos tóxicos, do judeu capitalista. Os novos Protocolos dos Sábios do Sião afirmam que o neoliberalismo é obra de judeus apátridas, como Bernard Madoff, e que só a esquerda pode extirpá-lo, com um vigoroso Pogrom keynesiano de investimentos estatais.

A esquerda nem sempre foi assim. Eu, como Tristram Shandy, relato o que aconteceu antes de meu nascimento, quando ainda estava acomodado no útero materno. Passei a gravidez num kibbutz, em Israel. O kibbutz Ashdot Iaakov, pertinho do mar da Galiléia, aos pés das colinas de Golan. Data: 1962. Lá estou eu, boiando no líquido amniótico. Lá está ela, minha mãe, aos 27 anos, grávida de mim, trabalhando na creche do kibbutz. Lá está ele, meu pai, colhendo uvas no vale do Jordão. E lá está ele, meu irmão, aprendendo hebraico na escola. Nenhum deles era - ou é - judeu. O que faziam num kibbutz? Experimentavam a vida comunitária, aquele ideal socializante de irmandade e de partilha dos bens. O ideal socializante, agora, é outro:

- Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás.